Casa unifamiliar

Dificuldades iniciais da construção

Quem já adquiriu experiência suficiente em pequenos trabalhos de construção como faz-tudo em casa, abordará com mais facilidade a construção de uma casa unifamiliar ou de um apartamento. Aqui não se quer dizer que ele próprio execute a construção, porque se trata de um trabalho que exige determinados especialistas. Mas é certamente bom que também o >>investidor<< esteja informado sobre estes trabalhos e que, nas questões mais simples, participe também ele próprio e, eventualmente, os membros da sua família ou amigos. Aqui tratar-se-á precisamente da participação em construções «grandes», ou seja, dos preparativos para a construção.

Para construir, é necessário primeiro assegurar o terreno. Não basta apenas «olhar» para o terreno antes da compra. Para garantir as melhores condições para o futuro edifício, é necessário obter informações sobre vários aspetos relacionados com o terreno. É recomendável consultar um especialista antes da compra. A localização do terreno, o relevo, a inclinação, a composição e o caráter do terreno, as condições do terreno, as direções dos ventos, as dimensões e a forma do terreno, a flora existente no terreno, a localização e o estado das vias de acesso e das infraestruturas são fatores muito importantes e influenciam de forma significativa o projeto e a execução dos trabalhos na construção. (Por exemplo, um nível elevado de águas subterrâneas exigirá trabalhos adicionais de impermeabilização, ou, em solo rochoso, os trabalhos de execução das fundações são mais difíceis). Ao avaliar estes fatores, pode acontecer que um terreno «mais barato» seja, na realidade, «mais caro».

Antes da compra, deve-se examinar também a «situação jurídica» do terreno. Deve-se verificar nos registos prediais se o terreno está realmente livre para venda e se não está por acaso onerado com dívidas, hipoteca etc. É possível que existam regulamentos especiais relativos ao terreno, como, por exemplo, o direito, resp. a obrigação, de passagem para outros utilizadores, passagem de água ou de canalização, expropriação, construção de estradas ou outras condições (fig. 1). Após a consulta dos registos prediais, devemos dirigir-nos ao órgão competente do município para obter informações sobre as possibilidades de construção no terreno. Lá saberemos que tipo de edifício podemos, resp. devemos, construir nesse local (térreo, com um andar etc.), se é permitido construir de todo, quais são os planos urbanísticos prospetivos da área circundante (onde serão construídos jardim de infância, creche, lojas etc.). Se os resultados da inspeção detalhada do terreno forem favoráveis e se a situação nos registos prediais estiver em ordem, e se a opinião do órgão competente para construção também for favorável para nós, isto é, se não houver fatores limitativos nem circunstâncias que aumentem os custos de construção, podemos comprar o terreno, cumprindo os regulamentos de compra e de transferência do terreno. Tais informações prévias detalhadas poupar-nos-ão futuras desilusões e custos desnecessários, e talvez até mesmo o fracasso completo do plano de construção.

situação jurídica do terreno

FIGURA 1

Depois da compra do terreno, é necessária a licença de construção. O objetivo desta licença é garantir que a construção do edifício seja efetuada de acordo com os regulamentos existentes e que o proprietário com direito a construir realize a obra de modo a não prejudicar os interesses dos proprietários vizinhos e da comunidade. Quem executar a construção sem a licença de construção prescrita, de forma não profissional, deve contar com a demolição forçada do edifício, por sua conta.

Juntamente com o pedido de licença de construção, deve ser anexado também o excerto do registo predial como prova de que o requerente é o proprietário legítimo do terreno. Também é necessário obter o plano de implantação do terreno, bem como o projeto do edifício (implantação e detalhes) com descrição técnica. É aconselhável obter junto do órgão competente informações também sobre as condições do projeto (escala, número de exemplares, etc.) quando recolhemos informações sobre o terreno. Projetos inadequados constituem muitas vezes um problema grave. Os projetos só podem ser elaborados por instituições ou pessoas devidamente autorizadas. Não é nossa intenção influenciar futuros »investidores«, mas chamamos a atenção para o facto de que, em organizações de projeto de maior dimensão, podem ser obtidos projetos-tipo prontos, relativamente económicos, modernos e eficientes, elaborados em várias variantes, de modo a satisfazer diversas exigências. Com base nesses projetos, é mais fácil obter licenças de construção que disponham de medições e orçamento preliminar.

Na construção da própria casa, cada pessoa tem as suas ideias. Essas ideias podem ser corretas e realistas, mas muitas delas são irrealistas, porque são inexequíveis, antieconómicas e desatualizadas, e muitas vezes até de mau gosto. Ao elaborar o projeto, o projetista deve observar determinados regulamentos federais, normas e prescrições relativas ao projeto (por exemplo, a entrada para a casa de banho não pode ser pela cozinha, a área mínima do quarto é prescrita, a altura mínima dos compartimentos interiores, a disposição dos compartimentos, revestimentos, superfícies das janelas etc. não podem ser escolhidos à vontade), mas ao mesmo tempo deve satisfazer também as exigências dos particulares, ou seja, dos proprietários. Devem ser valorizadas as propostas oportunas e económicas dos projetistas relativamente à utilização de elementos normalizados (vigas, portas, janelas etc.).

Os interesses e aspetos dos indivíduos podem manifestar-se sobretudo na escolha e no desenho da fachada, na distribuição dos compartimentos, no sistema de aquecimento, nas terraças, nas caves, nos anexos e semelhantes. Chamamos a atenção para o facto de que a entidade competente não emitirá a licença de construção com base em projetos tecnicamente incorretos e antieconómicos, que não estejam em conformidade com os regulamentos de construção de habitações, precisamente por interesse dos investidores.

Quando obtivemos a licença de construção, é preciso preparar-se cuidadosamente para a obra. Uma boa preparação poupar-nos-á de trabalhos desnecessários mais tarde. Paralelamente ao processo de obtenção da licença de construção, deve-se confiar a alguém a elaboração do levantamento quantitativo e do orçamento preliminar. Com base no levantamento e no orçamento preliminar podemos determinar a quantidade necessária de material de construção (tendo em conta também as perdas inevitáveis). Estes documentos são necessários também para obter um empréstimo para a construção. Se também tivermos conseguido o empréstimo necessário (ou dinheiro em caixa para o início da construção), segue-se a aquisição do material de construção.

O material é melhor adquirido numa empresa comercial. Existe também a possibilidade de comprar material já utilizado - o que é consideravelmente mais barato - mas isso deve, sem dúvida, ser combinado (e comprado em conjunto) com um técnico. Com efeito, tijolos sujos com argamassa causarão posteriormente dificuldades na alvenaria e no reboco, porque irão «transparecer» através da argamassa e da pintura. Em vigas de madeira, soalho de parquet e soalhos de navio podem esconder-se fungos e insetos, que, passados um ou dois anos, podem causar enormes prejuízos. Para algumas telhas é necessária o dobro da quantidade de ripas, pelo que um revestimento de telhado barato pode acabar por sair mais caro. Da mesma forma, o calcário usado e de qualidade macia não resiste à geada, pelo que não o poderemos utilizar para alvenaria nem para fundações. Em geral, é preciso ser muito prudente, quer se trate de materiais de construção novos ou velhos, muitas vezes baratos. Deve-se sempre solicitar e guardar os documentos que comprovam a propriedade, mas também todas as outras faturas e documentos devem ser cuidadosamente conservados.

materiais de construção

Antes de chegar a primeira remessa de materiais, ainda há muitas coisas a resolver no terreno. Se o terreno ainda não estiver vedado, deve erguer-se a vedação depois de harmonizar os limites com os vizinhos e com os dados oficiais. A vedação para a rua e o lado direito e a metade direita da vedação traseira, tudo isto visto da rua, temos de executar. A vedação lateral esquerda e a metade esquerda da vedação traseira pertencem ao vizinho da esquerda, ou seja, ao vizinho da retaguarda. Ao obter os documentos oficiais relativos às vedações, evitaremos eventuais discussões posteriores e talvez até litígios. Na direção do transporte do material de construção, é aconselhável executar apenas uma vedação provisória e móvel.

O pressuposto básico para a construção é a existência de água no local, porque o transporte de água é caro e complicado. Se perfurámos um poço e a água é sulfúrica, amarga, salgada ou malcheirosa, deve-se procurar a ajuda de um especialista na perfuração de um poço adequado (profundo) ou na neutralização da água. Água agressiva ou suja não pode ser utilizada na construção, porque após pouco tempo destruirá o betão ou a argamassa. Deve-se também escavar a fossa para a cal, de modo que não dificulte o transporte e fique suficientemente afastada das futuras paredes. A base da fossa pode ser 3 x 2 m, e a profundidade 1,5 m.

É também necessário um edifício para armazenar material, ferramentas e para vestir-se. Para este fim deve construir-se uma cabana temporária com planta de 3 x 3m de madeira, caniço ou tijolo, com possibilidade de fecho. Mas é muito melhor construir antecipadamente um dos edifícios secundários, por exemplo, um barracão para combustível, para o qual também temos licença de construção, e utilizá-lo para armazenamento. Não devemos esquecer também a construção de uma casa de banho num local afastado da água. Depois de trazer as ferramentas e os materiais auxiliares (grampos de carpintaria, cordas, etc.) podemos começar a organizar o transporte do material de construção.

O camião deve ser alugado de modo a ficar completamente aproveitado. Para materiais a granel, devem ser solicitados camiões basculantes. Devemos evitar o transporte barato, mas não autorizado. O material entregue deve ser colocado nas imediações do futuro edifício, de modo a não dificultar o transporte subsequente, pois assim evitaremos deslocações desnecessárias. O cimento deve ser armazenado sob abrigo ou coberto, os tijolos empilhados em ligação, sem risco de ferimentos, e a areia e o cascalho delimitados por tijolos (para evitar a dispersão). A extinção da cal é melhor ser confiada a um especialista.

Depois disto podemos «marcar» o local do edifício. Isto será feito pelo mestre da obra. Ele determinará a posição exata do edifício no terreno, a posição dos cantos e os dados de cota. Do local onde o edifício será construído deve ser removida a vegetação e o húmus (para eventual utilização posterior). O terreno da construção deve ser horizontal para que o mestre possa determinar com uma corda a posição da fundação. A largura das valas para as fundações é marcada com estacas. Podemos participar, sob a supervisão do mestre, também nestes trabalhos, e a escavação das valas é inteiramente da nossa responsabilidade. Em terreno solto são necessários escoramentos, e em solo firme devemos executar as valas exatamente segundo as dimensões dadas, talhando as faces das paredes. A terra escavada tentemos nivelá-la no próprio local, 1-2 m da vala, mas na maioria das vezes é necessário transportá-la. O transporte da terra é melhor resolver como transporte de retorno do camião que traz o material de construção. Depois de escavar as valas, o melhor é começar imediatamente a executar as fundações (para que a chuva não danifique as valas) (fig. 2).

Marcação e preparação da fundação de uma casa unifamiliar

FIGURA 2

Construção

A profundidade da fundação deve, em qualquer caso, ser de pelo menos 30 cm abaixo do nível do terreno, abaixo da linha de congelação. A fundação mais rápida e, ao mesmo tempo, mais económica é a chamada »pedra flutuante«, que, com base nas instruções do mestre, também podemos executar nós mesmos. A fundação de tijolos é muito cara e só pode ser construída por um especialista. Em locais acidentados, a fundação em pedra será a mais adequada. Após a execução da fundação das paredes exteriores principais, devem ser executadas as fundações das paredes intermédias e divisórias.

Com base no exposto acima, com trabalho cuidadoso, já executámos as fundações necessárias. Para uma boa impermeabilização, o mestre aplicará duas camadas de placas isolantes betuminosas 150 e três camadas de betume quente garantirão o fechamento completo. Deve-se também ter atenção para que o isolamento seja 3–10 cm mais largo do que a parede e que nas juntas haja pelo menos 15 cm de sobreposição. O isolamento horizontal das paredes de base deve ligar-se em toda a parte aos isolamentos horizontais das paredes intermédias e aos isolamentos sob o pavimento. Muitos negligenciam uma impermeabilização cuidadosa; no entanto, a impermeabilização é um dos pressupostos básicos para a utilizabilidade do edifício (fig. 3)

Isolamento horizontal das paredes de fundação

FIGURA 3

O início das paredes principais exteriores, das paredes principais interiores e das paredes divisórias deve ficar pelo menos 30, e ainda melhor 40 cm, acima do nível do terreno circundante, nas proximidades do nível previsto do pavimento. Ao mestre que organiza os trabalhos e os chamados trabalhos de precisão, podemos ajudar muito durante a alvenaria. Por isso, é aconselhável preparar bem a alvenaria, uma das operações que exige muito trabalho, e elaborar detalhada e cuidadosamente o plano da sua execução.

Independentemente do material que utilizemos para a alvenaria — tijolos, tijolos furados, blocos, pedra britada resistente ao gelo ou pedra nobre trabalhada —, as seguintes regras de ouro aplicar-se-ão a qualquer alvenaria.

  1. Não procuremos fazer tudo sozinhos! A boa qualidade da alvenaria só pode ser assegurada por mão de obra qualificada. Se não aprendemos o ofício de pedreiro, então ajudem-nos a transportar os tijolos, a entregar, a misturar e transportar a argamassa, a transportar os andaimes, etc. (fig. 4).

Trabalhos auxiliares na alvenaria: transporte de tijolos e argamassa

IMAGEM 4

2. A largura portante necessária da parede é determinada pelo especialista ainda durante o projeto. A espessura necessária para o isolamento térmico depende do material da parede e o valor mínimo desta grandeza, de acordo com a capacidade de suporte de cargas, é regulado por normas. Não devemos poupar a qualquer preço na espessura das paredes, porque mais tarde teremos maiores custos de aquecimento; além disso, em paredes finas podem ocorrer depósitos de vapor de água, o que é prejudicial à saúde e estraga a pintura e o mobiliário. Para as nossas condições térmicas, são preferíveis paredes de tijolo com largura de 38 cm (sem reboco). As paredes de pedra devem ter pelo menos 50 cm de largura (também por causa da capacidade de suporte de cargas). Existem também várias outras combinações de paredes, entre as quais a mais conhecida é a combinação de tijolos vazados colocados longitudinalmente e tijolos mais pequenos colocados de canto. A espessura destas paredes é 33 cm, mas exige uma execução cuidadosa. Uma boa parede é totalmente vertical e os elementos individuais nela estão ligados entre si. Nas paredes de tijolo, deve prestar-se especial atenção ao facto de as fiadas de tijolo estarem alinhadas uniformemente e na horizontal. Para manter as dimensões durante a alvenaria, devem ser utilizados blocos, ripas, cordas e fio de prumo, e é necessário controlar frequentemente a correção da alvenaria (pelo menos após 2-3 fiadas).

3. As juntas horizontais e verticais (no caso de pedra, inclinadas) devem ter cerca de 1 cm e estas juntas devem ser bem preenchidas com argamassa. A qualidade da argamassa é determinada por um especialista; normalmente utiliza-se argamassa da marca H4 ou H6. Para a alvenaria de pilares e chaminés é necessária uma argamassa reforçada com cimento. A argamassa deve ser misturada com muito cuidado, de modo a não conter grumos de areia e de cal. Para a preparação da argamassa deve-se usar cal envelhecida e areia sem argila, sem lodo e sem impurezas.

4. Durante a alvenaria, acima de uma altura de cerca de 1 m, já são necessários andaimes. Os andaimes só podem ser montados por trabalhadores qualificados para tal, ou são montados com base nas instruções do mestre de obras, e o material dos andaimes deve estar em perfeitas condições e com o respetivo assoalho. Nos andaimes devem ser colocadas tábuas de acesso com ripas para evitar escorregamentos. A caixa de argamassa deve ser enchida de modo a que, durante o transporte, não haja derrame. Tendo em conta que durante a alvenaria se consome uma grande quantidade de argamassa, devem ser preparadas duas caixas para cada pedreiro.

andaime

  1. Não devemos permitir desordem no estaleiro! Durante o trabalho e após a sua conclusão, devem ser limpos os andaimes para que a argamassa no pavimento não endureça. Devem também ser limpos os caixotes para argamassa e preparar-se apenas a quantidade de argamassa que será utilizada nesse dia. Devem ser recolhidos os tijolos que caíram e limpo o terreno dos resíduos, para libertar as vias de transporte. Os tijolos devem ser entregues e dispostos de modo a estarem à mão do pedreiro, tendo cuidado para que a pilha não desabe nem caia.

6. O rendimento de um pedreiro é a colocação de 800-1000 tijolos em oito horas. Se o trabalho for organizado de modo que um operário aplique a argamassa, outro passe os tijolos, o terceiro (mestre) coloque ou assente a fiada, e os restantes (membros da família) procedam ao abastecimento de material, é possível colocar até 7000 tijolos em oito horas. Deste modo, as paredes principais de uma casa de família podem ser concluídas em 4–5 dias. Deve prestar-se especial atenção à correta execução das juntas das paredes, aos cantos, aos caixilhos das aberturas, ao seu cuidadoso ajuste e ao ajuste da amarração.

7. As espessuras das paredes divisórias podem ser 6, 10, 12 e 25 cm (em função das exigências da construção e da compartimentação). A execução das paredes divisórias deve ser realizada por um especialista, pois estas paredes devem ser encaixadas nas ranhuras das paredes principais, e as paredes divisórias de blocos devem também ser providas de reforços. Tenha-se atenção para que a espessura das paredes de blocos dos espaços »húmidos« (casa de banho, cozinha) seja de, pelo menos, 10 cm, pois mais tarde, aquando da execução das ranhuras necessárias, as paredes de 6 cm ficarão comprometidas.

8. E, por fim, algumas palavras sobre a proteção da saúde dos participantes na construção de uma casa unifamiliar. No local de trabalho deve ser assegurada a possibilidade de lavar-se, um pequeno compartimento para armazenar e secar as roupas de trabalho suadas, óleo para proteção contra o sol (para bronzeamento) e creme gorduroso para o cuidado da pele. As mãos calejadas e corroídas pela argamassa devem ser cuidadosamente lavadas, as feridas devem ser desinfetadas e as bolhas devem ser untadas. Contra a exposição excessiva ao sol — especialmente aqueles que não estão habituados ao trabalho físico pesado — devem usar óleo de proteção solar, chapéu de abas largas e roupa leve. As crianças devem ser mantidas afastadas do estaleiro, da cova para a extinção da cal. Tais locais, atraentes para brincar, devem ser vedados e arranjados.

Material de construção clássico, o tijolo é muito importante, de modo que dedicámos duas figuras a este material para apresentar as suas características, ou seja, »normas de utilização« (fig. 5 e fig. 6).

Tipos e dimensões de tijolos para alvenaria

FIGURA 5

Os números nas pequenas caixas mostram quantos tijolos são necessários para 1 m2 de parede de diferentes espessuras, feita com tijolos de diferentes dimensões. Quem executa a construção por conta própria calculará facilmente as áreas das paredes dos compartimentos projetados. O cálculo do volume das paredes é já mais complicado e, precisamente por isso, estabelecemos a relação entre o número de peças e a área da parede (de forma excecional, indicámos o número necessário de tijolos para um pilar com altura de 1 m).

Ao determinar estes dados, também considerámos o espaço ocupado pela argamassa e, quando o número de peças para 1 m2 não era um número inteiro, arredondámos para cima.

Tipos de tijolos e número necessário por metro quadrado de parede

FIGURA 6

Chamamos a atenção dos construtores para o fato de que o número necessário de tijolos nos cantos para a amarração mútua das paredes desaparece se o cálculo for feito com base nas superfícies internas. Por isso, o comprimento de uma parede no conjunto deve ser aumentado pelo valor da espessura da parede. Tijolos dispostos em fiadas representam apenas uma pilha de material; só com a ligação por argamassa se tornará uma parede. A argamassa é uma mistura de cal apagada, areia, água e cimento, com consistência de nata.

Aplicação de diversos tipos de argamassa

Argamassa da designação H4 - para paredes pouco carregadas.

Argamassa de classe H6 - para fundações menos carregadas de tijolo e pedra, para chaminés, para paredes divisórias e para abóbadas.

Argamassa de classe H10 - para paredes portantes com espessura de 25 cm e menos, e para pilares com área de base inferior a 0,1 m2

Argamassa de classe H25 - para as paredes principais das caves dos edifícios.

Argamassa marca H50 - para pilares de tijolo com reforço para o caso de águas subterrâneas »agressivas«.

Argamassa de marca Н80 - para o caso de águas subterrâneas »agressivas«.

Argamassa de classe H90 - para o caso de águas muito »agressivas«.

Além destes aspetos, naturalmente, são determinantes as exigências em termos de resistência.

Composição dos diferentes tipos de argamassas

H10: 1,00 m3 de areia, 250 kg de cimento da classe 300 ou   0,25 m3 de cal

200 kg de cimento da marca 400

Н25: 1,00 m3 areia, 350 kg cimento da marca 300 ou   0,10 m3 cal

300 kg de cimento da marca 400

H4:            1,00 m3 de areia                                            0,25 m3 de cal

H4f/100h: 1,00 m3 m3 de areia 100 kg cem. marca 300 0,25 m3 de cal

H4f/75n:    1,00 m3 de areia   75 kg cim. da marca 400     0,25 m3 de cal

H4f/50 o: 1,00 m3 de areia 50 kg de cimento marca 500 0,25 m3 de cal

Н6:            1,00 m3 areia  175 kg cimento da marca 300 ou 0,25 m3 cal

150 kg kg da marca 400

VP/100h:   1,00 m3 de areia  100 kg cim. marca 300    0,33 m3 de cal

а/250 h:     1,00 m3 de areia  250 kg cem. marca 300          —–

o/225n:      1,00 m3 de areia  225 kg cem. marca 400          —–

A cal com grumos, ou a cal mal apagada e de má qualidade, provocará crateras na parede sob a forma de marcas de grãos.

Alguns tipos de betão

É bom conhecer as características e alguns tipos de betão, com a nota de que a resistência do principal material ligante, o cimento, aumenta com o aumento dos números (200, 300, 400, 500). A designação do betão de B50 até В500 indica, por sua vez, a sua resistência à compressão. Seguem-se alguns tipos para o »sortimento«:

В - 50:     1,20 m3 brita 150 kg cimento da marca 300 ou 110 kg cimento da marca 400

B - 70:    1,20 m3 brita 190 kg cimento da marca 300 ou 150 kg cimento da marca 400

B - 100:  1,20 m3 de brita 250 kg cimento da classe 300 ou 200 kg cimento da classe 400

В - 140:  1,20 m3 de cascalho 270 kg cimento de marca 300 ou 250 kg cimento de marca 400

B - 200:  1,30 m3 de cascalho 278 kg de cimento da marca 500

Se já nos familiarizámos melhor com os tijolos e a argamassa, convém lembrar também que o modo de ligação dos tijolos, colocando-os com o comprimento no sentido do comprimento da parede, chama-se fiada de testa (fig. 7, 1 parte). Existe também a fiada de canto (fig. 7, 3. parte) e a chamada fiada de soldado (fig. 7, 4. parte), na variante de uma só fiada.

Os tijolos podem ser cortados ao meio longitudinal e transversalmente, mas muitas vezes são necessárias peças de 1/4 e 3/4 partes. Com estas formam-se pilares. É muito importante que a camada superior de tijolos seja deslocada em meia divisão em relação à camada situada abaixo dela. Esta ligação assegura a resistência da parede. É igualmente importante que haja argamassa não só entre as camadas individuais, mas também entre os tijolos individuais da camada, no sentido lateral (fig. 7, parte inferior).

Assentamento de tijolos em fiadas de soga, de testa e em aparelhamento militar

FIGURA 7

Sobre as camadas prontas deve aplicar-se, com a talocha, uma camada uniforme e fluida de argamassa com cerca de 1 cm de espessura; sobre esta camada colocam-se os tijolos (3), e nas extremidades dos tijolos também deve ser aplicada argamassa (2). Os tijolos colocados devem ser levados ao lugar, primeiro com golpes pela parte superior (4), e depois também pelo lado (5) (golpes na face que não está untada com argamassa). A argamassa fluida penetrará também nas juntas verticais, conseguindo-se assim uma boa ligação.

Para partir os tijolos ao meio, é conveniente marcar o comprimento no cabo do martelo e assim assinalaremos facilmente o local para cortar metade ou um quarto do tijolo. No local do corte deve traçar-se uma linha mais profunda em ambos os lados do tijolo e, batendo no centro da parte que se quer separar, o tijolo parte-se. Durante esta operação, o tijolo deve ser segurado na mão esquerda.

Para rebocar, é necessária ainda maior experiência do que para cortar tijolos. Espalhar o conteúdo da colher de pedreiro na parede com um único movimento da mão dificilmente será aprendido por quem se dedica raramente ao ofício de pedreiro. Por isso, é melhor colocar a argamassa numa talocha maior e depois, a partir da extremidade inferior da parede — segurando a talocha na horizontal e com um ângulo de cerca de 20° em relação à parede — aplicar a argamassa sobre a superfície com uma ligeira pressão contra a parede (figura 8).

reboco com desempenadeira

FIGURA 8