Princípios básicos de união de madeira
Você provavelmente já ouviu falar das casas de madeira que foram construídas anteriormente nas áreas montanhosas sem um único prego. Construir essas casas exigia muita paciência e habilidade na montagem das peças. O exemplo dessas casas nos mostra que as peças de madeira podem ser “adaptadas” de forma que se encaixem perfeitamente umas nas outras e, ao mesmo tempo, fiquem firmes. Também podemos aplicar isso no caso em que as conexões são fixas: com pregos, parafusos para madeira, cola, cola fria, etc.
A rebitagem (figura 1, parte 1) segura bem a junta apenas no caso de ser realizada com dois pregos. Isto também se aplica a uma junta feita com parafusos para madeira. Em torno de um prego ou parafuso para madeira, as peças podem ser giradas como se fossem um alfinete.
Juntas de madeira
Sobreposição e juntas de borda
A maneira mais simples de unir madeira é uma junta sobreposta, quando dois materiais são dobrados um sobre o outro e a junta é massajada e fixada com pregos ou parafusos para madeira (figura 1, parte 2a). A junta é mais durável se uma camada for removida diagonalmente de cada peça, de modo que uma junta Z inclinada seja obtida (Figura 1, parte 2b). Se a junta for submetida a pressão na direção da junta, então é melhor remover metade da espessura de cada peça na junta e realizar a junta de acordo com a Figura 1, parte 2c. Esta junta pode segurar firmemente apenas um parafuso e o deslizamento da junta evita o corte.

Figura 1 — Rebitagem e juntas básicas sobrepostas, de borda e macho e fêmea.
A aba dentada forma uma junta elástica sólida sem o uso de parafusos. A desvantagem desta junta é que a união das duas peças só pode ser feita lateralmente (figura 1, parte 2d).
Para peças maiores, é mais seguro unir com um entalhe de borda ou macho e fêmea (figura 1, parte 3). Para fazer a junta, forma-se uma lingueta numa peça e uma ranhura na outra (estes tipos de juntas ocorrem em pisos de madeira ou parquet). Com estas juntas, o encaixe deve ser exato e as peças devem ser usinadas com precisão com cinzel, serra e plaina de perfil. A barra de borda rígida próxima à prancheta é fixada desta forma.
Mais fácil é a junta borda-entalhe, onde ambas as peças são entalhadas da mesma maneira. Apenas um entalhe de borda precisa ser feito usando uma plaina de perfil.
Juntas com buchas de madeira
A união com buchas de madeira (figura 2, parte 1) é realizada com buchas de madeira redondas ou quadradas. Essas juntas podem ser vistas em mesas e cadeiras. Para plugues redondos, que são divididos ou feitos em torno, são feitos furos na segunda parte da junta. É possível fazer furos em ambas as partes da junta e fazer os bujões separadamente da madeira nobre. É importante que haja pelo menos dois bujões na junta (em torno de um bujão existe a possibilidade de girar o material como em torno de um eixo) e que os furos sejam mais profundos que o comprimento dos bujões. Caso contrário, o plugue ficará na parte inferior do orifício e a conexão não poderá ser apertada.
Um plugue feito com um cinzel (figura 2, parte 2) é mais difícil de fazer, assim como o furo necessário para ele, mas apenas um plugue é suficiente para conectar com um plugue feito desta forma. É feito nos casos em que a peça não deve girar em torno de seu eixo. Deve-se tomar cuidado para deixar espessura suficiente ao redor da abertura para que a peça não quebre devido à carga.

Figura 2 — Juntas com buchas de madeira, cauda de andorinha e macho e fêmea.
Cauda de andorinha, pena e ranhura
Para conectar as peças mais longas nas laterais, uma junta trapezoidal (junta em cauda de andorinha) é aplicada (figura 2, parte 3). Fazer essa junta requer muita paciência e uma boa ferramenta. É utilizado na união de prateleiras. A principal desvantagem deste tipo de união é que a união só pode ser feita lateralmente. O “rabo de andorinha” deve entrar na ranhura transversal ao sentido das fibras, caso contrário haverá rasgo, quebra da parte unida.
As peças mais curtas se conectam à macho e fêmea (imagem 2, parte 4). As juntas aqui mais curtas são feitas da mesma forma que nas placas pathos, só que aqui são mais curtas. Uma forma modificada desta junta para conectar peças mais longas é uma junta dentária (Figura 3, Parte 1).

Figura 3 — Junta de engrenagem, juntas angulares e conexão de plugue e pino.
Cantos e juntas destacáveis
Para juntas de canto, uma forma oblíqua de junta macho-fêmea é aplicada (figura 3, parte 2) ou tampão triangular rebaixado com ranhura de junta ou reforço triangular fixado externamente (figura 3, parte 3). É usado principalmente na fabricação de molduras.
As juntas que podem ser desmontadas sem dificuldade são feitas com plugue e pino (figura 3, parte 4). Eles podem ser apertados e desmontados conforme desejado.
Se por algum motivo não pudermos fazer uma conexão plug-peg, então uma conexão sólida pode ser obtida cravando um pino de madeira com um ângulo entre 2 e 5° ou um pino de metal no plugue previamente inserido no furo (figura 4, parte 1). A cunha espalha o plugue e assim fortalece a conexão. Um exemplo dessa conexão é a fixação da cabeça do martelo ao cabo. O tampão deve ficar com a lâmina normal à direção das fibras tanto no furo quanto no tampão, caso contrário, em vez de fixar, a junta pode rachar.
Distribuição de carga
Apoio e transmissão de forças em vigas
Finalmente, mostraremos alguns exemplos de construção autossustentável. Na imagem 4, parte de 2, você pode ver uma viga inclinada. A viga extrudada desta forma não escorregará dos pilares, e as forças que ocorrem nos apoios são normais ao eixo longitudinal e não fazem com que os pilares se dobrem obliquamente.

Figura 4 — Fixação do tampão com uma cunha e transferência de forças nas juntas da viga.
Imagem 4, parte 3, mostra a inclinação de uma viga inclinada sobre uma horizontal. Com esta conexão, a força oblíqua é dividida em horizontal e vertical. Uma força vertical atua sobre uma viga colocada horizontalmente, enquanto uma força horizontal atua sobre o “nariz” da viga. Ao moldar a ligação desta forma, devemos ter certeza de que o “nariz” da viga horizontal é forte o suficiente, para que não quebre devido à força horizontal, ou mesmo escorregue, e desmorone toda a estrutura.
Construção de porta autoportante
A imagem 5 mostra a construção de »carga« e »autoportante« da porta. (Autoportante é uma estrutura que não precisa ser reforçada, mantida separadamente.)

Figura 5 — Deformação e reforço da porta com placa diagonal ou cabo de aço.
Na foto acima você pode ver que devido ao peso da porta as dobradiças ficam deformadas (a porta desce). O suporte superior é puxado para fora enquanto o inferior é pressionado na parede.
A imagem do meio mostra como a porta pode se tornar autoportante pressionando-a. O peso da porta é suportado pela tábua diagonal reforçada Z, pelo que temos que ligá-la às tábuas superior e inferior com uma saída de nariz, para evitar deslizamentos. A imagem abaixo mostra uma construção autoportante puxando um cabo de aço.
Produção precisa de juntas de madeira
É importante fazer a união das peças de madeira com a maior precisão possível, ou seja. que o tampão se encaixe exatamente no orifício, o dente no orifício do dente, etc. Para conseguir isso, devemos medir e marcar com precisão, usar uma ferramenta especial ou fazer um modelo ou… etc. A solução mais simples, entretanto, é fazer primeiro uma peça e depois usá-la como modelo para marcar a outra peça. Desta forma, embora a primeira peça produzida não seja a mais precisa, a segunda parte será ajustada, apropriada (imagem 6).

Imagem 6 — Transferência de medidas da primeira para a segunda parte da junta para ajuste preciso.